Andrew Townend: Quando uma cultura encontra Outra.

março 28, 2011 at 6:32 pm (Brazil, Cultura)

08 de Março de 2011. No dia Internacional da Mulher e no último dia de carnaval aqui no Brasil, foi o dia que o Andrew viria a João Pessoa. A Viagem havia sido confirmada há 3 semanas, e nos primeiros dias após a confirmação, houve momentos em que eu me questionei intensamente se eu me achava preparado para ser amigo, irmão e intérprete Dele. O Andrew havia aprendido o básico em português e eu precisava estar preparado para Traduzir para ele na maioria dos momentos.

Na manhã daquele dia, as horas pareciam não passar e tudo vinha na minha cabeça, como:  se iríamos ter dificuldades de comunicação, choque de cultura… descansei, e as 13:00 tomei o ônibus para a cidade de Bayeux-PB aonde fica o aeroporto. Esperei impacientemente pelo avião que fez longas escalas de Londres (UK) para São Paulo-SP, de São paulo-SP para João Pessoa-PB. Não pude ficar sentado, por isso me levantei e fiquei olhando do Horizonte a chegada do avião. Ás 14:50 finalmente o avião aterrisou, levando cerca de 15 minutos para os passageiros desembarcarem. Corri para os portões, e quando eu menos esperava, por estar atônito com tanta gente que chegava, eis que Andrew Aparece, vindo na minha direção, não me dando tempo de reconhecê-lo no momento, porque assim que me viu, Ele se atreveu em me abraçar, o que é muito comum pra mim, e pra ele nem tanto comum. Ele me reconheceu no primeiro momento eu acredito, diferente de mim, porque eu hesitei nos primeiros segundos se era realmente ele. Não imaginava que ele fosse tão alto.  Era tanta gente branca e alta vindo dos portões que eu hesitei. Confesso. Assim que ele chegou, nos primeiros minutos, as palavras pareciam não querer sair da minha Boca, pelo meu estado nervoso e por ainda eu dizer a mim mesmo: Meu Deus! Ele fez isso! ele está aqui. ele veio.  Tudo isso resultou em um inglês equivocado que saiu da minha boca. Pegamos o taxi e fomos ao hotel no qual eu estaria visitando-o e encarando os funcionários nas próximas duas semanas.

Ao chegarmos no hotel, houve pequenos desentendimentos de linguagem, o que iria acontecer nos próximos 4 ou 5 dias. Eu percebi que o meu inglês oscilava. Um dia melhorava, outro dia piorava. Comecei a pensar em português e traduzir e falar simultaneamente para o inglês, o que não acontecia há 3 anos atrás, quando meu inglês era praticamente fluente. O fato do Andrew ser Inglês e possuir a Língua Inglesa original, própria do Reino Unido, não facilitou muito as coisas. Percebi uma diferença na Fala dele comparada com a fala do meu amigo James Herring, que é Inglês também e mora em Rugby. o andrew deveria falar com sotaque próprio do Norte da Inglaterra, um sotaque forte e arrastado. Foi questão de pouquíssimos dias para atingirmos um grau maior de compreensão das línguas.

Levei Ele pra conhecer grande parte da cidade, e eu o levaria para conhecer lugares mais bonitos no estado e fora do estado, se eu tivesse um carro e se eu soubesse dirigir. Fomos a praia algumas vezes. não fomos mais vezes porque ele não quis. O que mais fizemos durante o tempo que ele esteve aqui foi conviver, conversar, rir, compartilhar opiniões. Foi ótimo para dois amigos-irmãos que até então só se conheciam através do site musical, o last.fm. Nos conhecer pessoalmente um ao outro foi a concretização da nossa amizade e ‘irmandade’. Conversamos muito sobre tudo. Como toda verdadeira amizade, tivemos diferenças de opinião, mas na maioria das vezes nossas opiniões eram a mesma, principalmente quando se refere a Fé Cristã. Uma das qualidades do meu “Irmão mais velho” é que ele sabe ouvir. E ele me ouviu bastante nos dias que ele esteve aqui, assim como eu o ouvi… Rimos pra caramba vendo os vídeos de um humorista inglês chamado Karl Pillkington. Rimos Muito com os videos de um canal do youtube chamado ”Don’t be that guy”!

Fomos em vários restaurantes. alguns que eu Nunca tinha ido. Ele conheceu alguns amigos meus. Eu o apresentei a uma amiga minha, falante do inglês, a Dani, os dois fizeram amizade. E em diversas outras situações, nós conhecemos gente nova.

Desde o começo eu estava hesitante se eu queria levá-lo para minha casa e apresentar ele a minha família. O que é interessante é que nos primeiros momentos que eu falava com “my buddy”, eu já havia notado simplicidade nele e que ele iria tranqüilo conhecer meu lugar. Quando minha mãe o conheceu, rapidamente ela gostou dele e se arriscou falar com muito esforço algumas palavras de inglês básico com ele e ele a entendeu. Meu irmão também havia gostado dele, assim como meu pai. Almoçou lá em casa. Digamos que 20% de todo tempo dele aqui, ele gastou tirando fotos de tudo. Acredito que apesar de termos saido pouco pra outros lugares ele amou essa viagem.

Eu aprendi bastante coisa a nivel de cultura, nos dias que ele esteve aqui. e por questão de cultura e unicamente de cultura, eu fui confrontado inúmeras vezes sobre o meu procedimento diário. Interessante que eu não achava necessário alguém vir do outro lado do atlântico e me conhecer pra eu finalmente perceber que certas coisas em mim eu poderia simplesmente mudar. Lá no fundo eu tenho a certeza de que ele levou embora consigo uma bagagem cheia de aprendizado sobre cultura e sobre mim. E a nossa amizade passa a ser uma amizade de verdade, além de uma amizade virtual. A confiança esteve em nosso meio. Era necessário isso. Ele sempre me perguntava como era uma palavra ou outra em português, e eu sempre dizia a ele. Ele tem algum interesse na língua.

Na última semana não tivemos muitos o que fizer, além de correr atrás de um cara que supostamente podia nos levar para o Recife-PE a preço de Custo de passeio. Ele furou com a gente 2 vezes e entendemos que não deveríamos ir com ele. E advinhem só? Aos 45 minutos do segundo tempo, decidimos que iríamos tomar um ônibus até a cidadezinha de Paulista e de lá pegar um taxi para o destino: Veneza Water Park. ”My english old brother” estava com grandes expectativas.  Nos divertimos bastante lá. Voltamos pra João Pessoa em torno das 17:00… ele quis tirar fotos e dormir e eu quis escutar música na viagem de volta. Essa era a Penúltima noite dele aqui… No domingo, não fizemos nada além de lembrar com bons olhos as duas semanas que ele esteve aqui. Rimos e conversamos mais do que nunca.

Segunda-feira, 21 de março de 2011. Acordei naquela manhã com um aperto no coração em saber que meu amigo iria partir naquela tarde. Já tinha tudo em mente: Assim que eu saisse da Aula de Anatomia, eu iria me encontrar com ele no hotel que ele estava hospedado, e assim esperar meus pais chegaram para levar ele ao aeroporto. Ainda deu tempo para conversarmos mais, ver videos engraçados e ir comer no McDonalds. Quando deu umas 13:30, fui com meus pais levá-lo ao aeroporto. Meus pais não puderam vê-lo embarcar, mas fiquei lá até a essa hora.  Andrew partiu naquela tarde, as 15:00, num vôo direto pra Guarulhos-SP. No dia seguinte ele já havia chegado ao Reino Unido. Um abraço e os “final sayings” foram suficientes para dizermos um ao outro: Até a próxima ou até breve… . 2012 is my turn, Let’s hope so.

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